quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Tapajós e Carajás são vitórias do Pará

Por Nilson Gomes
Os debates acerca da divisão do Pará ganharam a conotação que os políticos quatrocentões desejam, a de uma guerra entre os moradores da Grande Belém com os de Carajás e Tapajós. Essa briga interessa apenas aos que conservam os três Estados no atraso. Se os moradores de Altamira e Xinguara não veem, há décadas, o que os administradores do Pará fazem com os recursos advindos das commodities, muito menos os da periferia da Capital. Portanto, não apenas os dois futuros Estados planejam participar do soerguimento, mas também os belenenses.

Belém é uma cidade lindíssima, com suas tradições populares e religiosas. No âmbito ideológico, já experimentou os mais diferentes modelos de gestão e nenhum se lixou para as raízes do sofrimento de tanta gente. Enquanto teve ouro ao alcance da mão, Serra Pelada expeliu minério ao mesmo tempo em que milhares viviam encarapitados sobre excrementos em Belém, a poucos metros dos palácios. A esses, aos pobres, o dinheiro extraído da terra continua enterrado em algum lugar, apenas sai de perto para longe – ou às vezes não, pois os palácios estão ali, na mesma cidade, opulentos.

Os habitantes de Tapajós, Carajás e da Grande Belém são vítimas do abandono. Nasceram ou foram adotados por uma terra abençoada por Deus, mas desde o Grão-Pará gerida por correspondentes do capeta. O pessoal de Carajás e Tapajós tem o mesmo desejo dos belenenses: usufruir das maravilhas que herdaram dos antepassados. Não apenas o Sul do Pará tem imensas faixas da população oriundas de outros Estados. Belém igualmente sempre foi acolhedora, até pela vocação cosmopolita. É idiota a acepção de serem “de fora” os defensores da divisão. São paraenses, mesmo tendo vindo das mais diferentes regiões, como paraenses se tornaram alguns dos personagens importantes da história do Estado, mesmo nascidos em longínquas paragens.

É tradição no Pará o abrigo ao Brasil. O Grão-Pará era, ele próprio, um país. Nas seguidas reformas demográficas, dele nasceram o Amazonas, Roraima, Amapá. Nele, o Brasil se ampliou, como base para a conquista do Acre. Então, até aí cabe a comparação com Goiás, Estado do qual saíram o Triângulo Mineiro, o Distrito Federal e o Tocantins, além de trechos da Bahia e do Mato Grosso. Foi bom para todas as partes. O filho caçula, o Tocantins, evoluiu e Goiás não parou de crescer. A melhor publicidade que Carajás e Tapajós podem ter é comparar o Tocantins e Goiás do final dos anos 1980 com a situação neste início de década.

Quando me mudei para o Sul do Pará, em 1981, as rodovias eram péssimas. Continuam intransitáveis. Energia elétrica era um drama. Continua dramática. Saúde pública inexistia. Continua inexistente. Melhor investimento em Educação era mandar o filho para tão-tão distante. O ensino público continua no nível dos ogros. A corrupção era uma praga – agora está endêmica. Ecologia era apenas um verbete dos chatos. Hoje é um dolorido retrato da devastação. Enfim, as cidades melhoraram por sua conta e por dedicação de sua gente, não por mérito do poder central. Passaram governadores dos mais diferentes matizes. E os pobres permaneceram sem ver a cor do desenvolvimento, seja em Óbidos, Castanhal ou Redenção.

As estradas, os doentes, a devastação, a corrupção, o desprezo – alguém lucra com tão disparatado excesso de ruindade e esse alguém não quer largar o filé. O povo, que padece nas periferias da Grande Belém como sofre nos confins do Carajás e do Tapajós, contabiliza apenas prejuízo. Andar pelos bairros humildes de Belém, Ananindeua, Marituba, Benevides desperta para as perguntas: por que os recursos das jazidas não chegaram até aqui? Percorrer Santarém, Tucuruí, Marabá, São Félix, Conceição sugere as indagações: cadê um vestígio dos quatrocentões do Pará?

Escondem-se das pessoas simples os trambiques complicados: as riquezas naturais do Pará ficam para os exploradores internacionais e seus comparsas locais. Nem as migalhas vão para os carentes. Carente, no vocabulário de Pará, Carajás e Tapajós, é carente mesmo, de tudo, inclusive de atenção. Os trabalhadores, sejam eles empregados ou patrões, carecem da oportunidade de crescer. Os agricultores sem terra ou que têm apenas um pequeno pedaço de chão precisam escapar dos militantes profissionais e dos pistoleiros mais profissionais ainda. Como o Estado não os ampara, vão parar nas manchetes. Fica a imagem de um Pará sem lei ou da lei da bala. E não é assim. O que fez o Estado ganhar essa fama foi a tolerância com os foras-da-lei.

Pará, Tapajós e Carajás serão muito mais felizes com o desmembramento, pois não é uma terra que se separa, é um desrespeito que os une. O povo do Pará vai se ver mais próximo de todos os políticos, não precisará mais querer saber de onde é aquele ali do Congresso que ostenta um PA entre parêntesis. Sabendo quem são todos, um a um, fica mais fácil cobrar. Apertados, de perto, os administradores vão render melhor para a Grande Belém e os demais municípios do Pará. O mesmo vale para Carajás e Tapajós, que começarão sua trajetória pressionando para que não se repitam os erros dos quais tentam se livrar.

A felicidade do povo pode se chocar com o interesse de alguns, pois a população de Tapajós e Carajás ganha a liberdade perdendo o comodismo. Vai exigir o desfrute do que produz. Se Parauapebas é a cidade mais próspera do Brasil, a região inteira tem de ser agraciada com isso. O mesmo vale para todas as cidades de todos os tamanhos, distritos, vilas, povoados, assentamentos, acampamentos, garimpos. De ilhas bastam os palácios. Por questões geográficas, econômicas, políticas e culturais os três Estados já são divididos. O plebiscito haverá de confirmar a vontade da independência, que tornará mais soberanas as pessoas de Carajás e Tapajós, como principalmente as do Pará, o gigante Grão-Pará, que nunca dependeu de dimensões continentais para seu povo se considerar vencedor.

Nilson Gomes é jornalista.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Tapajós construído por Nós!


Olavo Neves: A criação de um novo Estado não gera empregos só para políticos

"De fato com a criação de um novo Estado haveremos de criar vagas no eixo político que são:
1 Governador + 1 Vice-Governador + 24 Deputados Estaduais + 3 Conselheiros do Tribunal de Contas + 7 Desembargadores (Senadore e Deputados Federais não entram nesta conta, pois são mantidos pela União)

---> 36 cargos constitucionais. Eu falei 36 cargos!!!!


Mas junto a isso teremos a contratação de:
+ 5.000 professores
+ 3.000 policiais
+ 1.000 médicos
+ Promotores... + Delegados.... etc.


Ps. Esse argumento é para acabar com a história que criar um

Estado é só para dar cargos políticos.

Ignorância!"

Antonio Russo saúda os 34 anos do Mato Grosso do Sul

Em pronunciamento nesta segunda-feira (10), o senador Antonio Russo (PR-MS) saudou os 34 anos de criação do Mato Grosso do Sul, e disse que nesse período o estado cresceu em infraestrutura, tornando-se hoje um dos principais pólos de desenvolvimento do país.

Antonio Russo considerou acertada a decisão de desmembrar o antigo Mato Grosso para a criação de um novo estado, pois ela abriu espaço para o desenvolvimento econômico e social da região Centro-Oeste.

Esse fenômeno, segundo ele, também poderá se repetir com o surgimento de novas unidades da Federação, a exemplo de Carajás e Tapajós, cuja criação será definida pela população do Pará por meio de plebiscito, previsto para dezembro próximo.

Mesmo sendo onerosa a criação de um novo estado, disse Antonio Russo, as mudanças surgidas com o passar do tempo irão superar essas dificuldades, transformando-as em aspectos positivos da administração local.

O senador afirmou que Mato Grosso do Sul conseguiu superar todas as adversidades verificadas nas décadas de 1980 e 1990, tornando-se um importante produtor agroindustrial associado à conservação ambiental.

O Mato Grosso do Sul, ressaltou o senador, produz 10 milhões de toneladas de grãos; 40 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano; tem um rebanho de 2 milhões de cabeças de gado com a melhor genética do país; ampla estrutura de serviço; e 450 quilômetros de rodovias pavimentadas.

O estado conta ainda com malha ferroviária com 1.700 quilômetros; 1.800 quilômetros de hidrovias; e um parque industrial localizado estrategicamente na fronteira com o Paraguai e Bolívia, o que poderá render ao Mato Grosso do Sul um importante papel no Mercosul.

Em aparte, o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) disse que a criação do Mato Grosso do Sul é importante para que a população paraense avalie a criação de Carajás e Tapajós. Já o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) disse que o estado é um dos mais promissores do país, saudando os agricultores paranaenses que vivem naquela região.

Fonte: http://correiodobrasil.com.br/antonio-russo-sauda-os-34-anos-do-mato-grosso-do-sul%C2%A0/310039/

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

PSB de Itaituba Lança manifesto pelo Estado do Tapajós


Numa iniciativa do Partido Socialista Brasileiro (PSB) Itaituba promoveu seu primeiro encontro suprapartidário para discutir e se engajar na Campanha de pró-criação dos estados do Tapajós e Carajás. O evento político sem caráter partidário aconteceu na quinta-feira, na sede do PSB na 13ª rua e teve início às 20 horas.

Os representantes de partidos em suas falas demonstraram a preocupação da união em torno da campanha que precisaria ganhar fôlego renovado, já que não estaria envolvendo como deveria a população de Itaituba. Os partidos fizeram avaliações e apresentaram propostas, entre elas a união em torno da causa para que dia 11 de dezembro possa vencer o 77 que representa o sim nas urnas.

Mas o encontro teve como principal meta a elaboração de um Manifesto, construído com a participação de todos os partidos presentes, no sentido de sensibilizar e conscientizar melhor a população, de que a criação dos estados do Tapajós e Carajás é a alternativa mais viável. A ex-Vereadora e um dos nomes como pretensa candidata a prefeita pelo PSB, Horalícia Cabral, considerou que a presença expressiva dos representantes do Partido servia como prova do compromisso que eles têm com Itaituba, por estarem valorizando a Campanha a favor da criação dos estados do Tapajós e Carajás.

O secretário do PSB, advogado Emanuel Bentes, abriu a reunião fazendo uma ligeira explanação a respeito da importância da união dos partidos para que a campanha seja vitoriosa. Para o sociólogo e professor Anésio Ribeiro, a iniciativa do PSB foi louvável, assim como também a presença doas 11 partidos, numa demonstração que estão preocupados com a criação do estado do Tapajós e não apenas questões políticas partidárias previstas para o ano que vem.

O PSB enviou convite para 15 partidos, sendo que onze se fizeram presentes, sendo eles PSDC (Benerson Godinho), DEM (Delmas Martins), PT (Edson), PP (Nazareno Santos, representando sua diretoria), PCdoB (professor Anésio Ribeiro), PSL (Marlene Maria de Abreu), PSB (Daniel Soares), PV (Norton Sussuarana), PTC (Vereador Manuel Dentista), PRTB (Deuzim) e PR (Antônio Pollia).

No final da reunião foi elaborado o manifesto em favor do estado do Tapajós que será entregue a todas as entidades, imprensa, sindicatos, cooperativas, escolas, enfim, a toda a população com a finalidade de dinamizar e fortalecer a campanha. Quanto ao encontro, os representantes dos partidos fecharam proposta para que a campanha vá para as ruas e dessa forma, no dia 8 de outubro todos os partidos presentes e os que não estiveram no encontro irão para os bairros levar informação e pedir o voto do 77 para a população.

Fonte: Diário do Tapajós

MANOBRAS DO GOVERNADOR SIMÃO JATENE CONTRA O ESTADO DO CARAJÁS, TAPAJÓS E O NOVO PARÁ. (O povo fala)

O governador Jatene, mesmo tentando passar a imagem de que é favorável a realização do plebiscito no dia 11 de Dezembro, para consulta sobre a criação do Tapajós e Carajás. Já deixou claro que é contra a divisão e criação de novos Estados.


Para isso, tem realizado várias manobras para desestabilizar a campanha do SIM ao Carajás e Tapajós, vejas as ações:


1º - Tirou o mandato do deputado federal Dudimar Paxiuba - PSDB, que era favorável ao Tapajós, mesmo sabendo que ele era suplente do Zenaldo Coutinho, líder do movimento do contra, com a promessa que retornaria ele no congresso, colocando o André Dias como secretário do seu governo, ou indicando ele para o TCE, como o TCE é mais demorado, é possível que até o dia do plebiscito, Dudimar continue afastado do cargo. Prova disto, foi a desistência do mesmo, que era pré-candidato a prefeitura de Itaituba.

2º - Janete de quebra, calou o vice-govenador, Helenilson Pontes, de Santarém, primeiro, com um falso discurso, que os dois juraram defender a integridade do Pará, coisa que não está no discurso de pose do governador, pura mentira, e colocou Helenilson como Secretário maior no lugar de Zenaldo Coutinho, abafando de vez, a maior voz, do Oeste do Pará, que poderia fazer diferença na campanha do Tapajós em Belém.

3º - Jatene, fez várias promessa de liberações de recurso para vários convénios com os municípios da Região Oeste do Pará, principalmente os que comporem o novo Estado do Carajás e Tapajós, calando assim, os prefeitos e vereadores, dos presentes municípios. Nunca se viu o governo do Estado, presente nessa região, com viaturas alugadas, coisas que ele em campanha, criticou a ex-gvoernadora Ana Júlia, e prometeu que compraria todas novas, agora, sem perder tempo, alugou várias veículos enviou para essa região, para fingir que a segurança está em bons rumos.

4º - Todos os filiados do PSDB, que residem, nas cidades do futuro Estado, receberam ordem imediatas de ficarem neutros, sem movimentação nenhuma, principalmente os pré-candidatos a prefeito pelo PSDB, amarrados, em um aconchavo, isso vale para os partidos da base aliado do governo, quem quiser o apoio do Estado nas eleições de 2012, deve fazer corpo mole, e deixar a campanha pelo Tapajós ficar fraca.


5º - Na região metropolitana e região nordeste do Estado, são poucas cidades, que tem campanha a favor do Carajás e Tapajós, mais do contra, mesmo, poucos políticos fazendo campanha para o não. Mesmo com os números favoráveis para o não, Jatene tem usado de várias manobras contra a Criação do Tapajós, sabendo que em matéria de política, quem faz é o agente político, sem eles, o povo, não age infelizmente, são orientados e guiados ao beo prazer dos políticos, isso não é de hoje, e da história política do Brasil.

Os tapajoaras repudiam essas manobras, e principalmente aos políticos que em nome de seus interesses pessoais, tem se calado, diante de mais de 150 anos de lutas, pela a Criação do Estado do Tapajós, ficando neutros, sabendo que ao passar, o plebiscito, dependendo do resultado, corremos o risco, de tão cedo, não termos mais uma oportunidade como essa, para demonstrar ao Pará e ao Brasil, o que realmente queremos. Mais muitos vão se lembrados no futuro presente, pelo desempenho nessa campanha do Tapajós, os que participaram ativamente e os que não fizeram nada. E uma escolha que vai refletir no futuro político de muita gente.

Fonte: http://procarajas.blogspot.com/

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Bispo Dom Esmeraldo confirma seu apoio ao Tapajós

“Eu sei que com o Estado do Tapajós, as mudanças não virão imediatamente como num passe de mágica, mas com certeza, pior do que está não vai ficar”, disse o bispo Dom Esmeraldo, durante reunião com membros da Frente Pró-Tapajós, realizada na manhã desta sexta-feira (07/10), na Cúria da igreja matriz de Nossa Senhora da Conceição. Participaram do encontro com o bispo os membros da Frente: Alberto Oliveira, Francisco Lopes, Luis Azevedo, Ednaldo Rodrigues, Erasmo Maia, Henderson Pinto, Reginaldo Campos e Hermes Bessa.

Durante a reunião o bispo Dom Esmeraldo, pediu uma avaliação geral das atividades que a Frente vem desenvolvendo, para entender a dinâmica da campanha e saber o que de fato ainda precisa ser feito, para garantir o sucesso da criação dos novos estados. Sobre a campanha, Erasmo Maia explicou ao bispo que está sendo priorizada a estrutura de marketing e propaganda para todas as regiões envolvidas no Estado. Francisco Lopes, falou sobre o processo de instalação dos comitês nos municípios que irão compor o Estado do Tapajós e Henderson Pinto, e reafirmou que através desse trabalho é possível que cada prefeito mobilize seu município e faça um trabalho de conscientização junto à população.

Importância - Os membros da Frente ressaltaram a importância da participação das Igrejas no movimento. Na ocasião, Alberto Oliveira falou que por ser a Igreja Católica uma multiplicadora de idéias, tem um papel fundamental nesse processo. Reginaldo Campos usou o exemplo bíblico do episódio do Mar Vermelho para falar sobre a necessidade da criação do Estado do Tapajós, comparando o anseio da população do oeste paraense com a coragem do povo hebreu sair do Egito em busca da Terra Prometida.

Ednaldo Rodrigues, agradeceu o apoio que o Bispo tem dado à luta, desde que tomou conhecimento do movimento para a criação do estado do Tapajós, inclusive com manifestação pública durante a festa do Santíssimo Sacramento. O bispo Dom Esmeraldo, ao reafirmar seu apoio ao movimento, disse que veio da cidade de Santo Antônio de Jesus, na Bahia, e não entende como lá "mesmo sendo uma área de seca, a qualidade da água é dez vezes melhor do que a água de Santarém, apesar desta estar situada às margens dos rios Tapajós e Amazonas", o que demonstra, em sua opinião que o anseio da população pela criação do novo estado, é legítima.


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Tapajós construído por Nós!

Quem faz parte da coluna Tapajós construído por nós, é a dona. Rosália Lana de Oliveira, moradora de Marabá.(sua carta está rodando a web, e chegou até mim.)

PARA LER, REFLETIR E REPLICAR. UMA VERDADEIRA ANÁLISE DE UMA CIDADÃ PARAENSE, SEM RESQUÍCIOS DE SENTIMENTALISMOS XENÓFOBOS.



Porque votar pela Divisão do Estado do Pará?

Muitas manifestações eloqüentes e discussões inflamadas tem-se destacado a respeito do assunto: A Divisão do Estado do Pará.

E se parássemos e analisássemos a luz da realidade dos municípios envolvidos. Os debates giram em torno de quem vai ganhar ou perder essa ou aquela riqueza. Não se trata de ganhar ou perder e sim de pensar naqueles que jamais chegaram a ganhar e sempre perderam o pouco que tiveram.

Peço que me escutem como moradora de um dos municípios que clamam pela separação, como forma de obter o mínimo de sobrevivência, Marabá, onde resido há 27 anos. Peço que me escutem como apaixonada pela cidade de Belém, lugar onde eu cresci, estudei e cultivo os melhores amigos, além dos meus queridos familiares. Peço que me escutem como alguém que, no fundo, se manteve sobre a linha que divide os separatistas dos não separatistas até a sua decisão.

Então, porque Separar?

Vou justificar a escolha, de acordo com os perfis da minha personalidade, como cidadã.


Perfil 01: Como uma cidadã que discute os problemas políticos sociais do país.

Não posso aceitar os argumentos espalhados pela Internet de que a divisão do Estado do Pará seria um festival de cargos políticos, ávidos a se beneficiarem pela criação de novos postos. Pensar assim é admitir a nossa incompetência, latente e arraigada aos costumes, para escolher nossos representantes. É reiterar aquilo que temos feito sempre: votamos mal, reclamamos dos políticos que votamos e, por fim, nada fazemos para mudar. Fica assim instituída oficialmente a desculpa para todas as nossas faltas. Sempre arrumamos os “culpados” perfeitos para encobrir nossos inúmeros defeitos na qualidade de cidadãos (jogar lixo nas ruas, avançar a faixa de pedestres, votar mal e etc...). “Montamos” essa “estória” cômoda para nós mesmos e cruzamos os braços, a reclamar de tudo. É muito passivo votarmos mal, mas sermos beneficiados por morarmos na capital e região e não nos preocuparmos com o Estado como todo. A velha e boa conversa: “Se está bom aqui pra mim, o resto é o resto”. O verdadeiro cidadão não deve pensar assim.

Portanto, sugiro se realmente o aumento das cadeiras políticas, que poderão vir a representar os novos Estados criados, deverá beneficiar a Região Norte como todo. Acredito que sim, pois teremos mais representantes, da Região Norte, no Congresso Nacional. Agora, a consciência e cobrança de ações dos políticos em que votamos independe da divisão ou não do estado. Não misturemos as coisas.


Perfil 02: Como cidadã trabalhadora que saiu da sua origem para buscar novas oportunidades.
Muito se comenta que as regiões do Pará, distantes da capital do Estado, foram ocupadas por “sulistas” em busca de aventuras e que eles não são merecedores e nem legítimos para defenderem a causa separatista. Assim como os “sulistas”, também procurei oportunidades nas longínquas terras do Pará, porém como poucos, vim de Belém.

A princípio, precisamos entender que os tais “aventureiros” que aqui se estabeleceram são legítimos brasileiros e como tal tem assegurado o livre trânsito pelo território nacional. É melhor que os espaços vazios, não ocupados por falta de interesse dos nativos, serem ocupados por brasileiros do que por estrangeiros. Nunca houve muito interesse dos próprios paraenses em ocuparem as lacunas e produzir em seu próprio Estado. As justificativas são compreensíveis: falta de estrutura sob todos os aspectos. Porém os “estrangeiros” do Sul e Centro Oeste (e até do próprio Norte, como eu) do nosso Brasil, não se intimidaram diante das adversidades, enfrentando-as com trabalho, para que este território abandonado pudesse produzir e conseqüentemente, fortalecer a sua identidade.

Quando se fala de reforma agrária, muitas bandeiras são levantadas contra a prática do latifúndio, onde a grande propriedade é mantida, sem, nela, nada produzir, apenas pelo desejo de tê-las, admirá-las e guardá-las à especulação. As mensagens e propagandas, em prol da não divisão do Estado, são o retrato do discurso do latifundiário, onde se retumba algo como: “Pará que te quero Lindo e grande”. Querem o Estado lindo e grande, mas não querem dele cuidar, relegando-o ao abandono. Grande parte territorial serve apenas como objeto de admiração a ser guardado como reserva de futura especulação. Tudo muito análogo ao conceito do Latifúndio.

Nem mesmos os cargos criados pelo próprio Estado do Pará, são ambicionados pelos paraenses. Muitos concursos oferecidos pelo Estado, nos interiores distantes, têm suas vagas ocupadas por paulistas, goianos, mineiros, tocantinenses, entre tantos brasileiros. A maioria deles(os de outros estados) nunca antes esteve próximo da região Norte, no entanto viram nas vagas oferecidas pelo Estado, uma oportunidade de trabalho e emprego, mesmo que tendo que enfrentar toda sorte de abandono da infra-estrutura estadual: estradas, saneamento, saúde e outros. São poucos os paraenses interessados nos postos de trabalho oferecidos tanto pela iniciativa pública, quanto privada, quando esses postos são em cidades distantes da capital. Os trabalhadores deste lado do Estado formam uma “Torre de Babel” brasileira. Temos juízes, garis, delegados, peritos, engenheiros, advogados, donas de casa, professores, médicos, fazendeiros, trabalhadores rurais e vários profissionais que vieram de outros Estados para ocupar postos nunca reivindicados pelos donos da Terra Natal, Pará.

No roteiro de lazer daqueles que moram na capital, com raríssimas exceções, não estão incluídas as cidades do interior do Estado, que não sejam aqueles balneários beneficiados pela proximidade à cidade de Belém. Porque não é interessante viajar pelo interior distante do nosso Estado? Seria pela falta de estrutura turística, ou seria pela má conservação das estradas? Seria pela falta de opções de lazer e sobrevivência não incentivadas e/ou esquecidas pelo Estado e seu povo? Convido-os a um passeio por nosso Estado, aventurando-se pelas estradas, em ônibus ou em seus carros particulares e entenderão parte de nossas preocupações.


Perfil 03: Cidadã, dona de casa e mãe de família.
Em janeiro de 1985, cheguei a Marabá, recém casada, sem filhos e sem intenção de tê-los de imediato. Tive a oportunidade de conviver com mães que chorosamente se separavam de seus filhos, pois eles teriam que sair da cidade, para continuar seus estudos em outras cidades, a exemplo: Belém, Goiânia, São Paulo e Belo Horizonte. Na época pensei: eu ainda nem tenho filhos, e quando os tiver, até que eles cresçam teremos faculdades na cidade de Marabá e tudo será diferente. As crianças chegaram, cresceram e em nada mudou. Eles foram estudar em Belém e por lá concluíram seus cursos e ainda precisam permanecer para aprimorar técnicas em cursos de pós-graduação existente apenas em grandes cidades. Além da dor da separação e da enorme preocupação, pois os pais não podem abandonar seus postos de trabalho para acompanhar os filhos, as despesas inerentes a uma empreitada dessas é alta. Apenas para citar um exemplo: se aqui tivesse faculdade na época, não teríamos que pagar o aluguel, pois eles estariam na casa deles. Não é justo, trabalhamos aqui, na terra abandonada e darmos lucros aos proprietários de imóveis em outra cidade/Estado. O que produzimos é gasto em dobro a fim de garantir nossa sobrevivência aqui e de nossos filhos em outra localidade. Com o resultado do nosso trabalho, investimos em escolas, casas, impostos, livros, empregados e todas as espécies de serviços, na cidade estranha à morada da família. Hoje, muito timidamente, houve algum progresso nas instituições de ensino, vindas do poder governamental, num ritmo que não acompanha o clamor da sociedade formada pelas cidades interioranas/distantes da capital do Estado do Pará. Contudo, devo considerar-me com privilégios, pois a grande maioria da população aqui residente simplesmente abandona os estudos, tornando-se refém das casualidades na condição de mão-de-obra sem qualificação. A maioria dos profissionais, como eu, submeteram-se a sacrifícios financeiros e pessoais, para obter especialização/pós-graduação em suas áreas de trabalho, viajando para grandes capitais/cidades, uma ou duas vezes por mês, aos finais de semana, já que não há interesse das grandes instituições de ensino, mesmo que particulares, em instalarem seus cursos nesta região, por absoluta falta de estrutura.

E assim, poderíamos deixar este texto mais longo se citássemos, além das questões da educação, as de saúde, saneamento, lazer, turismo, transportes e segurança. Se, para quem mora na capital e região a carência é gritante, há que se fazer uma projeção geométrica negativa, para imaginar a situação dos interiores distantes.


Perfil 04: Cidadã que já passou pela experiência de divisão de município.
No ano de 1985, quando da minha chegada em Marabá, algumas cidades tais como: Parauapebas, Curionópolis e mais alguns outros municípios, eram vilarejos pertencentes ao município de Marabá. Em 1988 ocorreu a emancipação de Parauapebas e com ela a Serra de Carajás (minério de ferro) deixou de pertencer a Marabá, passando ao domínio de Parauapebas. Essa separação contou com a aversão da maioria daqueles que residiam no núcleo da cidade de Marabá, pois a população achava que, com a “perca” da Serra dos Carajás, Marabá estaria decretada à falência. Com o passar do tempo Curionópolis, município, onde está localizada a Mina da Serra Pelada, também foi politicamente emancipada e algumas outras cidades no entorno seguiram o mesmo processo. O resultado foi surpreendente! Não empobreceu Marabá. Não fomos à falência. Ao contrário, a cidade se desenvolveu, bem como a região inteira. Quem conheceu os vilarejos de Parauapebas e Curionópolis, no passado, quando pertenciam ao município de Marabá sabe do que relato. Hoje são cidades que se desenvolveram, sem as garras do município mãe (Marabá), porém com parceria. Essa é a palavra, parceria. A região se desenvolveu tanto, que hoje é parte integrante do bloco de municípios do Sul do Pará que clama pelo Estado de Carajás. Da mesma forma acontece nos municípios, do Oeste do Pará, que clamam pelo Estado do Tapajós.
Não dá para entender todo esse processo como divisão e sim como adição. Não vamos chamar de divisão, vamos entender como cotização, objetivando agregar forças e aumentar nosso poder de reivindicação. A Região Norte é tão grande, quase sempre relegada ao segundo plano, mal gerida e esquecida. Todos no Brasil e no mundo querem dar palpites, mas não querem arcar com o ônus de sua gestão. Sabemos que a gestão de um Estado grande gera gastos desnecessários, influindo no custo/benefício. Temos no mundo países pequenos, infinitamente menores que nosso Estado e que são modelos de gestão e eficiência. Vamos deixar de lado o egoísmo de possuir um bem, sem mesmo poder tomar conta dele, apenas para não perdermos o domínio. As gestões feudais ficaram no tempo e para elas não queremos voltar, pois não funcionam. Hoje a palavra de ordem é delegar poderes para melhor gerir. Falamos tanto em modernidades, gestões participativas; cobramos essas atitudes de nossos gestores dentro das empresas em que trabalhamos e, quando chega a nossa vez de praticar, não conseguimos nos enquadrar nos conceitos pelos quais tanto levantamos bandeiras. Ficamos agarrados a uma grande bola de problemas, sem condições de resolvê-los, porém não chamamos ninguém para ajudar a gerir, dividir o fardo e salvar a bola, preferindo perdê-la totalmente.

Lembrem-se: não deixaremos de ser nortistas, não deixaremos de ser brasileiros.